Manuel Morim Milhazes. Um nome comum a tantos outros. Mas, se simplesmente dissermos Lito, a Nação Varzinista, de todas as gerações, o conhece, ou já ouviu falar nele. Uma vida com este emblema ao peito, faz deste atleta um dos maiores símbolos do Varzim. É um dos principais embaixadores da nossa mística, que não se consegue explicar, só se sente! Apesar de os nossos jogadores da formação nunca o terem visto jogar, é, certamente, para todos eles, um exemplo a seguir! Um grande profissional, mas, acima de tudo, um enorme e eterno Poveiro/Varzinista!
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| Lito, em início de carreira |
"O meu primeiro jogo a titular foi com 18 anos. Não era fácil para um jogador vindo das camadas jovens, sem o próprio técnico conhecer, neste caso o falecido José Torres, e à quarta jornada do campeonato, ser titular. Foi um orgulho enorme! Foi um concretizar de um sonho!
Para mim era uma satisfação enorme entrar em campo com a camisola do Varzim. Foi a maior alegria que eu tive em toda a minha vida.
Em todos os anos eu era sempre abordado para representar outros clubes. Estive perto de me transferir para os três grandes, mas as sucessivas direções não me deixaram, pois consideram-me um símbolo do clube.
Tirámos o 7º lugar, tínhamos 14 jogadores das camadas jovens do Varzim, o que era obra. Era muito bom, e sempre apoiei isso."
"Ainda hoje me questionam: «Qual é o teu clube?» Eu disse sempre Varzim. «Não, mas qual é o grande?», Grande? Mas vocês estão admirados porquê? Por eu ser só do Varzim? Qual é o problema? Para mim, o meu clube é, e continuará a ser o Varzim!"
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Festa da subida de divisão na CMPV
Salão Nobre |
"E eu regressei ao Varzim, anos mais tarde, pelo coração. O Varzim estava na Segunda B, e o Sr. Sousinha, a quem eu faço uma homenagem, veio falar comigo. Quando me disseram que estavam interessados, o meu coração começou a palpitar. Eu estava na Primeira Divisão, tinha convites de outros clubes de primeira, e também de clubes vizinhos, e neste caso, o Rio Ave. Aliás, posso dizer que, quase todos os anos, fui convidado para representar o Rio Ave.
As propostas, monetariamente, eram superiores, por vezes, mais do dobro do dinheiro, e disse sempre que não. Assinei pelo Varzim sem saber quanto iria receber. Nessas temporadas [meados da década de 1990], tínhamos um balneário fantástico, convivíamos muito!"
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Golo do Varzim frente ao U. Madeira
Chovia torrencialmente |
"O jogo com o União da Madeira foi tremendo, chovia torrencialmente, o estádio cheio com guarda-chuvas, e aquele jogo marcou-me porque foi uma grande festa, sofremos até ao fim.
Antigamente estavam a assistir aos nossos jogos 20 mil pessoas. Tínhamos um imenso prazer em jogar com tanta gente, era motivador.
Quando estávamos no balneário a ouvir a palestra, debaixo da bancada poente, nós escutávamos aquelas cornetas, sentíamos que o jogo nos ia correr bem. Eram um fator extra de motivação. Por vezes o barulho era tanto que nem ouvíamos as palavras do treinador. Então, quando entrávamos dentro do campo, ouvíamos outra vez as cornetas e víamos aquelas bandeiras grandes [do lado superior] ficávamos ainda mais motivados. Gostava que toda essa envolvência regressasse."
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Lito Milhazes foi o primeiro atleta a receber o troféu "Lobo do Mar". Recebeu duas vezes o troféu.
O primeiro pelas mãos do Sr. Luís Leal. O segundo pelas mãos de Sr. Pinto da Costa. |
"Qual era o clube que tinha 20 mil pessoas no estádio? Por exemplo, no Rio Ave, o Varzim quando ia jogar lá, tinha mais assistência do que o próprio Rio Ave. O Varzim enchia o estádio.
Vários treinadores me marcaram, a começar pelos treinadores das camadas jovens. Depois posso citar o saudoso José Torres, a quem eu estou muito agradecido por ter apostado em mim e o Prof. Henrique Calisto, um Homem que já estava adiantado em relação ao seu tempo. Aliás, o trabalho que este ano está a desenvolver é disso exemplo."
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O onze que defrontou o Porto (86/87)
Seis poveiros no onze inicial |
"Antigamente, considero que existiam jogadores em maior quantidade e com melhor qualidade. Naquela altura [início da década de 1980], tivemos das melhores gerações de jogadores poveiros. Espero que, em breve, outras possam vir a surgir e dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Eu sou apologista do jogador poveiro. Não estou a dizer para serem os onze, mas pelo menos 5/6 jogadores na equipa principal. Atualmente, as equipas grandes só têm estrangeiros e isso é mau para o futebol português. No meu tempo, éramos apelidados de equipa sensação, porque tínhamos muitos jogadores formados no clube."
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"Subíamos ao relvado por este túnel"
(Bancada Poente) |
"Deixo uma mensagem aos nossos jogadores das camadas jovens. Que acreditem nas suas qualidades, mas com a consciência de que, para serem alguém no futebol, tem de trabalhar muito, serem humildes e nunca desistirem. Quando subirem ao plantel sénior, saber que têm de dar tudo pelo clube, porque o Varzim merece, pois é um clube especial.
Como já disse, muita gente perguntava antigamente «Qual é o teu clube?» Ao que eu respondia: É o Varzim! E hoje em dia já não se ouve isso. Infelizmente!"
"Só tive pena de não acabar aqui a carreira, porque não me deixaram. Mas o clube não tem culpa! As pessoas passam e o clube fica! Nasci varzinista e morrerei varzinista!
Eu cheguei a jogar lesionado com nariz partido, membros afetados, e as pessoas diziam que era impossível jogar naquelas condições. Dava tudo dentro das quatro linhas."
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| Porto e Benfica interessados em Lito |
"Depois em jeito de despedida enviaram-me uma carta a dizer que prescindiam dos meus serviços, nem coragem tiveram de falar diretamente comigo, e isso é que me magoou muito. Mas é como eu digo, não é o clube, o clube não tem culpa nenhuma, mas magoou-me tanto, receber uma carta, depois de tantos anos de Varzim, e de dar aquilo que podia e não podia.
Eu estou sempre com a esperança de regressar a casa."
O Blog Lobos do Mar agradece a disponibilidade de Lito Milhazes.
ALA-ARRIBA VARZIM S.C!