Sem pruridos de "filosofância" nem requebros de nostalgia romântica, antes de assumindo, porque "assim vai o mundo", os condicionalismos realistas do futebol que se tornou, irreversivelmente, espectáculo-negócio, o Varzim dedica parte substancial das suas preocupações enquanto entidade desportiva, em sentido restrito, e enquanto parceiro social, em mais largo âmbito, à problemática da juventude. Palavras enfáticas? Elogio em boca própria? Nada que se pareça: trata-se, tão só, da verificação de uma constante na vida de um clube que, por idiossincrasia, quis fazer-se e manter-se como elemento polarizador e vivificador dos gostos, interesses e anseios da gente mais nova de uma zona geográfica e populacional em que, desportivamente, prepondera.Mais terra-a-terra, é imperativo reconhecer-se que o Varzim Sport Club junta às usas naturais ambições desportivas - entra-se em qualquer desafio para tentar a vitória - uma consciência congénita de serviço. De serviço a prestar à comunidade em que, desde o dia da fundação, em 1915, a colectividade se inseriu.
Falar-se, hoje, do futebol juvenil no Varzim é, de algum modo, procurar fazer sentir a diferença. Não que o Varzim esteja, neste campo, em solitária deambulação quixotesca. Muitos clubes portugueses continuam a dedicar, felizmente, boa parte da sua atenção às camadas jovens, mas o exemplo varzinista merecerá alguma saliência por ser este um clube em que, tipicamente, sobre a boa vontade e escasseiam os recursos financeiros. Colectividade de orçamento apertado, chega a acreditar-se estarmos perante uma espécie de milagre de multiplicação. Sabendo-se o que custa, actualmente manter uma equipa profissional competitiva e visando presença nos patamares mais altos do futebol, não deixa de ser espantoso existar uma Secção Juvenil no Varzim movimentando mais de quatro centenas de atletas. O que implica, certamente, fartíssimas doses de devoção à causa e um considerável investimento. E se os devotos vão surgindo e subsistindo, por amor ao clube e espírito de sacrifício próprio, o dinheiro não cai do céu. Qual o segredo do Varzim, entre a devoção que existe e a obrigação que a si próprio o clube impões? A resposta passa por uma palavra-chave: organização.
Por isso, pode o clube ufanar-se de, na temporada futebolística de 1996/97, ter participado com oito equipas, envolvendo infantis, iniciados, juvenis e juniores, nos respectivos campeonatos, quer a nível distrital quer nacional. Os resultados foram, em termos competitivos, considerados gratificantes pelos responsáveis do Sector Juvenil do clube, designadamente, o técnico Manuel Milhazes, chefe do Departamento, regressado a funções que ocupara, com mérito, em épocas anteriores. Particularmente significativa é a circunstânia de a equipa de juniores (temporada de 1996/97) ser totalmente constituída por poveiros e "feitos" na escola varzinista.
Neste âmbito, são de uma particular pertinência as considerações do dirigente Lídio Marques expressas num pequeno artigo inserto no boletim do 6º. Torneio de Futebol Júnior Ala Arriba! (Agosto/Setembro de 1996):
"Nos últimos quinze anos, tive o raro privilégio de presidir em dez à administração do nosso clube. E, neste espaço de tempo, o futebol mudou quase radicalmente a sua estrutura, sendo inundado de legislação e métodos inovadores.
"Depois, a nossa integração no espaço económico europeu e o respeito a dar aos Tratados que compõem o seu ordenamento jurídico fizeram com que surgissem vários casos no futebol profissional, sendo o mais célebre, pela mutação que impôs à transferência de profissionais, o 'caso Bosman'. A partir desta sentença, um arrepio enorme perpassou pelos clubes profissionais da Comunidade e nada é, já, como antes.
"Daí, o repensar de novo a formação dos jovens futebolistas que assegurem de forma convincente o futuro e pleno rendimento da modalidade, estruturada em moldes profissionais. Continuar ou não a escola de formação varzinista - eis a questão.
"Nós entendemos ser necessário moderar gastos, mas não temos dúvidas de que o Varzim assume uma função social e deve entusiasmar os seus jovens à prática desportiva, quaisquer que sejam os 'casos Bosmas' (...). Acreditar no futuro é investir nos jovens - e a Póvoa e o Varzim estão de mãos dadas".
Acredita, pois, o Varzim que as suas escolas de formação representam mais do que "aumento de encargos", tronando-se um "investimento seguro". Muitos jogadores, primeiro amadores, depois profissionais, chegaram aos seniores oriundos das camadas jovens do clube. Assim como nunca foram nem são poucos os que, por valor confirmado, saíram para a representação de outro emblemas.
Neste contexto, o Torneiro "Ala Arriba!" desempenha um papel importante. Realizado pela primeira vez no Verão de 1991, atingiu a sexta edição contínua em 1996. Sempre com o intuito de animação do futebol jovem e da formação desportiva e com um espírito básico de confraternização.
Por mera curiosidade, refiram-se, pela ordem, os nomes dos seis vencedores do Torneio: Leixões (Varzim em segundo), F.C. Porto (vencedor do Sporting na final), Vitória de Guimarães (três vezes consecutivas, ganhando sucessivamente, ao F.C. Porto, ao Benfica e outra vez ao F.C. Porto). Nas seis edições, o Varzim registou o referido 2º. lugar e, ainda quatro 4ºs. lugares.











Temos outro exemplo: rubem dos Santos Paroleiro. Nascido na Póvoa e que era alfaiate. E que jogou no Varzim Sport Clube. Com 83 anos de idade em 2000 - menos dois do que o Varzim -, Rubem é um dos quatro sobreviventes da equipa que, na temporada de 1934/35, se sagrou campeã concelhia na categoria de "Honra". Os três restantes dão pelos nomes de Arlindo Miranda, Fernando Boto (ambos radicados no Brasil) e Salvaterra (que vive em Aguçadoura).
Na solene cerimónia comemorativa das "Bodas de Ouro" do Varzim, em 1965, quando o director-geral dos Desportos, dr. Armando Rocha, colocou na bandeira alvinegra a Medalha de Bons Serviços desportivos concedida pelo Ministro da Educação Nacional, o estandarte era garbosamente empunhado por um antigo futebolista do clube. José Malgueira, de seu nome.





Texto de Lobos do Mar



A passagem de Joaquim Meirim correspondeu, também, a um período de euforia clubista, sobretudo pelo carácter original e plémico do então emergente treinador saído do desconhecimento para a ribalta do futebol. Meirim voltaria, uma segunda vez, ao Varzim, mas não iria além de três jornadas no comando da equipa.




No dia 17 de Fevereiro de 1997, o Varzim Sport Clube deslocou-se ao Estádio das Antas para defrontar o F.C. Porto, em jogo a contar para a Taça de Portugal. António André, técnico-adjunto de António Oliveira no grupo de trabalho "azul-branco", viu em campo defrontarem-se dois amores da sua vida de futebolista e, numa tarde, reviveu a sua própria história. Uma história que seria enriquecida três meses depois, ao ver o seu nome inscrito na conquista do tricampeonato pelos "dragões".
(Equipa do Varzim SC na época de 1976/77)
(No Varzim SC na temporada de 1976/77)
(Washington no Varzim SC)
(Wasington com o equipamento alternativo do Varzim SC)
(Em 1976/77 como suplente do Varzim SC)



(Equipa do Varzim SC na época de 1978/79)











(Em acção ao serviço do Varzim SC)
(No Varzim SC na época de 1983/84)


(Washington)
(Washington)