26 de julho de 2010

Benje: «Joguei lesionado senão perdíamos»

ANTIGO GUARDA-REDES RECORDA JOGO NAS ANTAS


UMA das histórias mais incríveis que ouvimos sobre a liderança de Joaquim Meirim foi contada por Benje, o jogador mais emblemático da carreira do falecido treinador. O antigo guarda-redes não teve dificuldade em a escolher: o jogo que o Varzim realizou nas Antas no ano em que foi quinto no campeonato.

"Eu estava lesionado e não podia jogar. Mas o Meirim tinha prometido, uma semana antes, num jogo que perdemos com o Marítimo, que se eu jogasse nas Antas o Varzim ganharia. Eu dizia-lhe que não podia alinhar, mas ele conseguiu convencer-me. Mas não disse nada a ninguém, nem aos outros jogadores. E para a ficha de jogo só deu os nomes de dez jogadores. Quando lhe vieram perguntar quem era o guarda-redes, ele disse que era o... Neto. É o meu último nome, mas ninguém sabia. O Pedroto quis saber quem era e disseram-lhe que era um júnior. Quando entrei em campo, todos ficaram surpreendidos, até os meus colegas, que ficaram mais animados".

Mas o "pior" veio depois, conta o antigo guardião: "Levei uma assobiadela monumental, fui vaiado, até pelos jogadores do FC Porto, prometendo que iria levar a maior goleada da minha vida. Comecei a ficar com raiva por aquela recepção e disse para mim próprio que tinha de jogar melhor que nunca. E foi isso que aconteceu: fiz o melhor jogo da minha carreira."

Só que a história não fica por aqui... "Joguei todo ligado, da perna até à barriga, e às tantas fui agredido por um jogador do Porto, e fiquei com a clavícula deslocada. Foi o fim. Disse ao Meirim que não aguentava e ele disse-me que tinha de aguentar-me. Ligaram-me o ombro e continuei em campo e pouco depois fiz uma defesa, daquelas impensáveis, só com a mão esquerda. Só quando faltavam cinco minutos para terminar o jogo, já o Varzim ganhava por 1-0, é que o Meirim fez a substituição. Chamou o Zé Luís e disse a toda a gente: 'Agora vamos jogar com um guarda-redes ainda melhor.' E o Zé Luís, em cinco minutos, fez uma exibição incrível, talvez também a melhor de toda a sua vida, defendendo uma mão-cheia de remates que poderiam ter dado golo"...

Texto retirado do jornal record em 2001
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5 comentários:

T Nogueira disse...

Parabéns Maicon! http://footinmyheart.blogspot.com/

um abraço

Anónimo disse...

Nao fazia ideia desta historia e gostei de ler.
Sao momentos que ficam pra vida!

FORÇA VARZIM

Anónimo disse...

Tempos em que os jogadores jogavam por amor a camisola. Que saudades...

Anónimo disse...

Os jogadores jogavam com amor à camisola e depois aos 35 anos iam para trolhas ou pescadores porque não tinham onde cair mortos por não terem ganho dinheiro para terem uma vida digna.
Isso é que era bonito.
Ide vós trabalhar por amor à camisola.
Ide enganar a cega.

Anónimo disse...

Impressionante!
Tem de haver sempre alguém a dizer mal só para chatear!