24 de fevereiro de 2010

RUI BARROS: um "europeu" na Póvoa

No dia 13 de Setembro de 1987, em jogo a contar para a 4ª. jornada do "Nacional", o Varzim Sport Clube, treinado por Henrique Calisto, recebeu no seu estádio o F.C. Porto, comandado por Tomislav Ivic. O campeonato estava, ainda, no adro e o embate, como tantos da lista de confrontos de poveiros e portistas, prometia espectáculo e resultado indeciso.

Em crónica desse jogo, constante de uma publicação posterior, relativa à história do CFP, poderia ler-se: "O Varzim não prometia facilidades e nunca as deu, ao longo de noventa minutos de refrega cuja realidade esbateu quaisquer dúvidas, se é que alguém as tinha: David e Golias só no papel, em teoria; na prática, dois adversários convictos da astúcia e das forças próprias, das armas e dos quereres a utilizar na decisão da peleja. (...) Rui Barros, o mesmo que andara, com o Varzim, no seu aprendizado de futura vedeta, começara por dar o aviso, alegre e solene, logo ao terceiro minuto de jogo, cabeceando ao lado no seguimento a um cruzamento de Madjer. A resposta varzinista pessoalizou-se em Vata, num raid que Inácio se viu compelido a travar em placagem de última instânicia. Lufemba e Miranda preocupavam, igualmente, os portistas, e aí estavam Celso e João Pinto a impor a ordem".

O extracto justifica-se pelo exposto, com algumas referência que encontrarão eco em muitos varzinistas, que nem terão que ser, necessariamente, da velha guarda. Treze anos volvidos, Miranda ainda joga e é valor proeminente; João Pinto e Ruibarros, do lado portista, já, abandonaram a actividade, Inácio e Madjer fizeram-se treinadores. Vata, ao que parece, anda lá para os orientes; de Lufemba perdeu o cronista o rasto.

Aquele Varzim-F.C.Porto merece, ainda, algumas considerações. A nível mais profundo, inscreveu-se numa temporada que não foi feliz para o Varzim, que, com 30 pontos, se classificaria na 17ª. posição, entre 20 concorrentes - tinha havido um inédito e absurdo alargamento de vida curta - e seria despromovido, juntamente com o Rio Ave, o Salgueiros e o Sporting da Covilhã; em termos restrictos, permite a evocação de Miranda e de Rui Barros, o primeiro por motivos óbvios, o segundo porque foi, também ele, anos antes, jogador em grande destaque ao serviço do Varzim.

A proeminência atingida por Rui Barros no futebol português e europeu enraíza-se num percurso tão diversificado como invulgarmente brilhante: quando chegou às Antas, tinha apenas 17 anos e já havia vestido as camisolas do Aliados de Lordelo, o clube da sua terra, do Rebordosa e do Paços de Ferreira; no F.C. Porto foi campeão nacional de juniores e prenunciou carreira de êxito, mas seria, logo a seguir, a pretexto de fazer "rodagem", emprestado ao Sporting da Covilhã , onde ficou uma época, tomando, então, o rumo da Póvoa, para defender durante duas temporadas o emblema varzinista e ajudar à conquista do título de campeão da Zona Norte da II Divisão; voltaria ao F.C. Porto, conquistaria glórias várias, seria chamado à Selecção das quinas, entraria no circuito europeu e conquistaria novos louros jogando na Juventus (Itália), no Mónaco e no Marselha (França); na época de 1994/95, regressou às Antas e quiseram os fados que, no dia 11 de Fevereiro de 1997, reencontrasse, em campo, num jogo da "Taça", o Varzim ... e Miranda.


Curiosamente - fica sempre este advérbio -, no jogo, atrás referido, do Campeonato de 1987/88, Rui Barros fixou o resultado, ao apontar o segundo golo do Porto.

Recordando a sua passagem pelo Covilhã e pelo Varzim, contou Rui Barros (revista "Dragões" de Outubro de 1987): "Na Segunda Divisão Nacional, arranjei arcaboiço. Era muito duro, joguei em muitos campos pelados. Havia um pressing constante. Às vezes, parecia mais porrada do que futebol. Estive dois anos na Segunda e um na Primeira Divisão. No primeiro ano em que estive no Varzim, vi o que era a Zona Norte. Há equipas muito fortes, quando não se luta pelo título corre-se o risco de descer (...). Por isso, acho que benificiei muito com a minha passagem pelo Covilhã e pelo Varzim".

Na mesma revista, Jaime Pacheco opinava sobre Rui Barros, elogiando a sua (ainda) curta carreita: "Basta lembrar o que tem feito por onde tem actuado. Deixou bem vincada a sua grande classe, como jogador e como homem. Digo isto não só pelo que conheço dela mas, também, pelo que tenho ouvido da boca de tanta gente da Covilhã e da Póvoa de Varzim".

A "marca" do Varzim está, indelével, no pequeno-grande jogador. Na crónica do jornal "O Jogo" de 12 de Fevereiro de 1997, havia a seguinte referência ao trabalho de Rui Barros: "Craque que passou pelos grandes palcos da Europa, respeitou o Varzim como se da melhor equipa do mundo se tratasse...".

Digna e meritória, a história do Varzim Sport Club foi e continua a ser feita por muita gente. Rui Barros, varzinista por dois anos, ajudou a fazê-la.

2 comentários:

Anónimo disse...

Mais uma vez parece que a Câmara roeu a corda e já não vai haver pagamentos.

O Macedo é tão Varzinista que está mais uma vez a sufocar o clube.

Já veio nos jornais que o Varzim não cumpriu outra vez com o pagamento e chegou-me ao ouvido que o Macedo mais uma vez fez das suas.

Abri os olhos porque tenho a impressão que o clube vai mesmo fechar portas e um dos coveiros é o Sr. Presidente da Câmara que é um grande Varzinista.

Sandro disse...

Boa noite,

já metemos o link, ficamos a aguardar agora também o link..

Cumprimentos

http://moreirense1938.blogspot.com/