23 de março de 2013

Lopes de Castro: Câmara (Protocolo/Fundo de Turismo)

Lopes de Castro escreveu, esta tarde, no seu Facebook, o primeiro texto, onde toca principalmente em dois temas: o protocolo com a câmara, e a verba do Fundo de Turismo, que segundo o ex. presidente, mais concretamente a ex. Secretária de Estado, Dra. Cecília Meireles, disse na reunião com os responsáveis varzinistas, que " Foi pena a Câmara ter solicitado o adiamento do pagamento da verba do jogo. Na data que queríamos pagar, o Varzim tinha as certidões em dia".

O comunicado de Lopes de Castro no seu Facebook:

"O tempo corre. Já passou um ano. Por esta altura estávamos a preparar o jantar de aniversário do Varzim. O 97º aniversário. Não foi um dia fácil, era o culminar da semana, era sexta feira, e estávamos suspensos de uma promessa feita no princípio da semana, que iria ser regularizado o pagamento do protocolo pela Câmara.
 Em Novembro tínhamos organizado as coisas de forma a não haver problemas de tesouraria até ao fim da época. Para isso fizemos um pagamento de 300.000 euros às finanças, que nos permitia ter as certidões necessárias para podermos receber da Câmara e do Fundo do Turismo.
 Nessa altura pareceu-nos ser a melhor decisão.
 Não contávamos que de imediato, na mesma semana, a Câmara nos comunicasse um corte de 30% no montante do protocolo, ou seja menos 105.000 euros. Mesmo assim estávamos convencidos que o restante e o subsídio da zona de jogo não iria falhar. No ano anterior, na cerimónia de entrega do referido subsídio, foi dito que definitivamente a verba estaria disponível no mês de Março. Daí as únicas perguntas que diariamente fazíamos à Câmara eram, quando pagam o protocolo, e quando é distribuído o subsídio do jogo. Como resposta recebíamos invariavelmente a mesma, não há dinheiro, com referencia ao protocolo e não sabemos, em relação ao Fundo do Turismo.
 A nossa pressão e preocupação era devida à data em que iriam caducar as certidões, 25 de Marco, domingo.
 Nessa sexta feira, a meio da tarde, recebemos a má noticia que não iríamos receber a verba da Câmara. Foi um rude golpe nas nossas expectativas. Acreditamos que a promessa feita na segunda feira dessa mesma semana, iria ser cumprida. Não sei se conseguem imaginar o estado de espírito dos dirigentes do clube, que daí a algumas horas teriam que estar a conviver e a receber os convidados e os sócios que iam receber os emblemas de prata e de ouro. Alguns dos dirigentes equacionaram não ir ao jantar, como forma de protesto. Imperou o bom senso, e lá fomos para mais uma cerimónia, que faz parte da vida do clube. Aproveito para informar aqueles que não frequentam com regularidade a vida do clube e estes jantares, que todos os sócios e dirigentes, presentes pagam o jantar. O único custou, e elevado, são os emblemas de ouro e os trofeus, que o clube entrega nessa cerimónia. Sempre defendemos o princípio do pagamento, mas sempre defendemos que um sócio que faz 50 anos, merece receber um emblema, sem pagar o mesmo. 
 Voltando ao que interessa.
 Nesse dia ficamos com a certeza de muitas coisas. Não iríamos conseguir acabar a época como estava planeado, não iríamos conseguir novas certidões, até porque estávamos a gerir os pagamentos das prestações do PEC com alguma dificuldade. Mesmo correndo o risco de voltar a ter uma resposta negativa, enviamos novamente ao serviço de finanças um pedido de restruturação de divida fiscal. No ano anterior já o tínhamos feito, e a resposta foi negativa, com um argumento que desarma qualquer raciocínio, não, porque as garantias que o Varzim deu são boas. Se não percebeu isto, não fique preocupado. Lemos e relemos o despacho e também não percebemos. Era uma prerrogativa que derivava do Orçamento de Estado, que permitia ás empresas em dificuldades financeiras, renegociarem as dividas com o estado para prazos mais dilatados. As finanças no seu despacho confirmaram as dificuldades financeiras do Varzim, mas indeferiram o pedido.
 Março de 2012.
 Desportivamente os resultados indicavam que poderíamos concretizar o objetivo que tínhamos traçado, subir de divisão. Financeiramente estávamos numa situação de ruptura completa de tesouraria.
 Para um orçamento de um milhão de euros, é impossível faltarem por motivos alheios à gestão do clube, 40% desse valor. Senão vejamos, em Setembro os sócios aprovaram o orçamento, que incluía nas receitas a verba de 350.000 euros do protocolo com a Câmara. Incluía obviamente a verba do Fundo do Turismo, 100.000 euros. Como referi atrás, em Novembro a Câmara cortou 105.000 euros ao subsidio. Se juntarmos a isto os 140.000 euros que disse que ia pagar em Março e não pagou, mais os 100.000 euros da zona de jogo que não recebemos, pergunta-se, como se resolve isto?
 Quanto ao protocolo, o argumento que não havia dinheiro, para mim era válido, se fosse verdade. Até vou acreditar nisso.
 Já quanto à verba da zona de jogo, a resposta de que não sabiam de nada, também me parecia sincera. Parecia.
 Decidimos solicitar uma reunião na Secretaria de Estado de Turismo.
 Fomos recebidos pela Secretária de Estado, Dra. Cecília Meireles. Não vos vou incomodar com o resumo da reunião. Vou só partilhar convosco uma afirmação que a secretária de estado fez: " Foi pena a Câmara ter solicitado o adiamento do pagamento da verba do jogo. Na data que queríamos pagar, o Varzim tinha as certidões em dia"
 Foi um choque.
 Foi um regresso à Póvoa em silêncio absoluto no carro.
 Foi a certeza que iríamos sofrer para acabar a época desportiva, e foi a certeza que tínhamos chegado ao fim de linha.

 Luanda, 23 de Março de 2013

 (Próximo texto: Estatutos)"

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